TrekkerCultura


TrekkerCultura® -  Boletim Cultural - N. 4
Frota Estelar Brasil
Boletim publicado em 1992.



Kirk faz as vezes de pai de Charlie.A fim de evitar que a Enterprise desvie o curso traçado para a Colônia 5, onde irá se juntar a outros humanos, o estranho adolescente Charlie – no episódio Charlie-X – assume o controle da nave, utilizando seus poderes para paralisar as pessoas, transformá-las, obrigá-las a fazer qualquer coisa que ele queira ou simplesmente para fazê-las desaparecer. Num certo momento, ele faz com que Spock comece a recitar trechos de poesia. O primeiro deles é "Tiger! Tiger! burning bright / In the forests of the night". Estes são os dois primeiros versos do poema The Tiger (O Tigre), de William Blake (1757-1827), um dos representantes do período romântico da poesia britânica. (O segundo trecho que Spock recita está no próximo boletim).

The Tiger  faz parte do segundo livro de Blake, Songs of Innocence and of Experience (Canções de Inocência e de Experiência). Segundo os críticos literários, The Tiger é um dos mais belos exemplos de sua poesia, onde ele alcança o máximo de seu lirismo metafórico, repleto de símbolos.

Leia abaixo a transcrição do poema, no original, e a adaptação de Augusto de Campos.

 

The Tiger

Tiger! Tiger! burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Could frame thy fearful symmetry?

In what distant deeps or skies
Burnt the fire of thine eyes?
On what wings dare he aspire?
What the hand, dare seize the fire?

And what shoulder & what art,
Could twist the sinews of thy heart?
And when thy heart began to beat,
What dread hand & what dread feet?

What the hammer? what the chain?
In what furnace was thy brain?
What the anvil? what the grasp
Dare its deadly terrors clasp?

When the stars threw down their spears,
And water'd heaven with their tears,
Did he smile his work to see?
Did he who made the Lamb make thee?

Tiger! Tiger! burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Dare frame thy fearful symmetry

O Tigre

Tigre! Tigre! Brilho, brasa
Que a furna noturna abrasa,
Que olho ou mão armaria
Tua feroz simetria?

Em que céu se foi forjar
O fogo do teu olhar?
Em que asas veio a chama?
Que mão colheu esta flama?

Que força fez retorcer
Em nervos todos o teu ser?
E o som do teu coração
De aço, que cor, que ação?

Teu cérebro, quem o malha?
Que martelo? Que fornalha
O moldou? Que mão, que garra
Seu terror mortal amarra

Quando as lanças das estrelas
Cortaram os céus, ao vê-las,
Quem as fez sorriu talvez?
Quem fez a ovelha te fez?

Tigre! Tigre! Brilho, brasa
Que a furna noturna abrasa,
Que olho ou mão armaria
Tua feroz simetria?
 


OBS:  Se você também gosta da série Arquivo-X, vai perceber que o título de um episódio do segundo ano, chamado Fearful Symmetry, foi também tirado deste poema (leia o quarto verso da primeira estrofe).


Anterior | Próximo

Página Inicial